|
| No Projeto, desenvolvido pelo Guatambu – Grupo de Extensão e Pesquisa sobre Desenvolvimento Rural e Sustentabilidade, estavam previstas atividades em cinco assentamentos rurais da região de Andradina -SP, visando contribuir para a troca de saberes e avanços na formação técnica das famílias em relação à produção, agregação de valor e/ou à comercialização, com base nos princípios da Agroecologia. Logo depois das as primeiras reuniões de planejamento, a Unesp, devido à pandemia, suspendeu as aulas e outras atividades presenciais. Por um período a atuação no Projeto se limitou à bolsista que fez diversas leituras e coletas de dados, depois compartilhados com os integrantes do Guatambu em reunião virtual. Ao se constatar que o retorno de atividades presenciais não ocorreria em 2020, passou-se a fazer reuniões virtuais para refletir e buscar alternativas. Após reprogramação e ficou decidida a realização de eventos virtuais com depoimentos de agricultores familiares e assentados, com o apoio de algum pesquisador ou extensionista rural, pois o objetivo não era proferir palestras de “capacitação”, mas o compartilhamento e a troca de experiências, estimulando o protagonismo dos(as) agricultores(as). No total foram realizados três eventos virtuais pelo Google Meet com crescente e ativa participação de agricultores, estudantes, professores, extensionistas e outros interessados. No evento inicial participou como expositor um agricultor orgânico certificado de Jales-SP, com o apoio de um professor da Etec Jales; no segundo um agricultor e uma agricultora do Assentamento Timboré fizeram um relato sobre uma experiência de comercialização em feira livre em Andradina (SP); e o terceiro encontro envolveu dois agricultores de Alto Paraíso (GO) que trataram de práticas de transição agroecológica e sistemas agroflorestais. Embora a pandemia tenha restringido o alcance dos objetivos inicialmente propostos, considera-se que o Projeto desenvolveu atividades relevantes e inovadoras. |
|
| Propiciar a troca de saberes e avanços na formação técnica das famílias em relação a processos de produção, agregação de valor e/ou comercialização com base nos princípios da Agroecologia, com a participação dos próprios agricultores(as), extensionistas, professores, pesquisadores e dos alunos da FEIS/Unesp envolvidos no Projeto. |
|
| (Após reprogramação)
- Contribuir para o compartilhamento e a troca de saberes em relação a produção orgânica certificada de olerícolas, comercialização em circuitos curtos (feira livre) e produção em transição agroecológica e sistemas agroflorestais;
- Criação de perfil do Guatambu no Instagram para a divulgação das atividades e resultados do Projeto;
- Contribuir para o aperfeiçoamento da formação dos alunos da FEIS/Unesp envolvidos no Projeto.
|
|
| Após a reprogramação das atividades devido às restrições impostas pela pandemia, ficou decidida a realização de encontros virtuais, pelo Google Meet, com depoimentos de agricultores familiares e assentados da reforma agrária da região, juntamente com algum pesquisador ou extensionista rural que conhecia o agricultor(a). O objetivo não era realizar palestras de “capacitação”, mas proporcionar o compartilhamento e a troca de experiências, buscando a participação ativa dos agricultores.
O primeiro encontro, denominado “Compartilhando conhecimentos: uma experiência de agricultura orgânica/agroecológica na região de Jales (SP)” teve cerca de 40 participantes de várias localidades da região e até de outros estados, embora poucos eram agricultores. O evento, realizado no dia 25 de setembro de 2020, contou com os depoimentos do Eng. Agrônomo Nilton Aparecido Marques de Oliveira (Etec Jales) e do agricultor familiar que produz na linha agroecológica e possui certificação de produção orgânica, Caio César de Oliveira, de Jales. Em reunião posterior, do Grupo Guatambu, avaliamos que diversas questões dificultam o acompanhamento desse tipo de encontro por parte das famílias rurais. O próximo foi agendado em horário considerado mais adequado e reforçada a divulgação, visando maior participação de agricultores(as).
O segundo evento com título “Compartilhando conhecimentos: Experiência de comercialização da Associação Canteiro Agrário na região de Andradina (SP)” contou com a participação de cerca de 50 pessoas e foi realizado em 03 de novembro de 2020. O evento contou com os depoimentos da agricultora Luzia Aparecida Ferraiolo e José Marcelino Cafeo, do Assentamento Timboré de Andradina e mediação de Diogo Oliveira da Paz (integrante do Guatambu) e um número maior de agricultores.
O terceiro evento, realizado em 10 de fevereiro de 2021, denominado “Compartilhando Conhecimentos – Agroecologia e Educação: o caso dos agricultores no entorno do Educandário Humberto de Campos, em Alto Paraíso-GO” que teve um aumento expressivo da participação, atingindo mais de 100 pessoas. Teve a mediação de um ex-integrante do Guatambu professor João Henrique Silva Vera, No entanto, em função do link aberto, a entrada de um hacker prejudicou a parte final do evento e nos obrigou a mudar o meio de transmissão a partir de então. Neste evento dois agricultores mostraram e comentaram suas experiências em termos de práticas de transição agroecológica em olerícolas e sistemas agroflorestais (SAFs).
Durante todos os eventos o público podia interagir, fazendo perguntas diretamente aos(às) agricultores(as) ou por meio do chat. O público podia também solicitar certificado de participação, caso fosse do interesse dos mesmos.
A experiência desses encontros foi considerada muito positiva e continuou no atual Projeto de Extensão que está em vigência em 2021.
|
|
| - Exceto as reuniões iniciais de planejamento, todas as atividades realizadas foram virtuais;
- As reuniões e os eventos do grupo Guatambu foram realizadas via Google Meet e a divulgação das atividades, além de utilizar os grupos de WhatsApp, também teve um reforço com a criação de um perfil do Guatambu no Instagram;
- A divulgação dos resultados de etapas anteriores do trabalho de extensão do Guatambu também foi realizada por meio de apresentação de trabalhos em eventos científicos, como o Congresso de Iniciação Científica da Unesp e o IX Simpósio sobre Reforma Agrária e Questões Rurais, promovido pela Universidade de Araraquara (Uniara) e realizado em novembro de 2020 por meio virtual.
|
|
| BORDENAVE, J. D.; PEREIRA, A. M. Estratégias de ensino aprendizagem. 19 ª ed. Petrópolis (RJ): Vozes, 1998, 316p. BRASIL. Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural para a Agricultura Familiar e Reforma Agrária - PNATER e o Programa Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural na Agricultura Familiar e na Reforma Agrária – PRONATER. Brasília: MDA, 2010.
CALLOU, A. B. F.; PIRES, M. L.; LEITÃO, M. R. F. A.; TAUK SANTOS, M. S. O estado da arte do ensino de extensão rural no Brasil: relatório de pesquisa. Revista Extensão Rural, Santa Maria (RS) – UFSM, Ano XV, n° 16, 2008.
CAPORAL, F. R.; COSTABEBER, J. A. Agroecologia e Extensão Rural: contribuições para a promoção do desenvolvimento rural sustentável. Brasília: MDA/SAF/DATER-IICA, 2004.166p.
DIESEL, V.; DIAS, M. M. Fundamentos teóricos-metodológicos da extensão rural - quais fundamentos? In: SEMINÁRIO NACIONAL DE ENSINO DE EXTENSÃO RURAL, 2., 2010, Santa Maria. Anais eletrônicos... Santa Maria: UFSM, 2010, p. 1-12.
DIESEL, V.; NEUMANN, P.S.; SÁ, V. C. (Org.) Extensão rural no contexto do pluralismo institucional. Ijuí: Ed. Unijuí, 2012. 352p.
FREIRE, P. Extensão ou comunicação? 11 ed. São Paulo: Paz e Terra, 2001. GLIESSMAN, S.R. Agroecologia: processo ecológicos em agricultura sustentável. Porto Alegre: Ed. Universidade UFRGS, 2000. 653p.
MOREIRA R. M. M.; CARMO, M. S. do Agroecologia na construção do desenvolvimento rural sustentável. Agricultura em São Paulo, São Paulo, v.51, n.2, p.37-56, 2004. PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Acompanhando a agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável: subsídios iniciais do Sistema das Nações Unidas no Brasil sobre a identificação de indicadores nacionais referentes aos objetivos de desenvolvimento sustentável. Brasília: PNUD, 2015. 291 p.
RAMOS, G. L.; SILVA, A. P. G.; BARROS, A. A. F. Manual de Metodologia de Extensão Rural. Recife (PE): Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), 2013. |
|
| Avalio que o grupo Guatambu conseguiu encontrar uma alternativa inovadora para colocar em discussão as experiências e práticas dos(as) agricultores(as), estabelecendo também um diálogo com os conhecimentos científicos. Embora as lives tenham se proliferado durante o ano passado, com palestras, debates e cursos, a grande maioria foram comandadas por professores e pesquisadores que expunham aspectos teóricos e resultados de pesquisa. Sem desmerecer a pertinência desses eventos, optamos por trazer os depoimentos dos(as) agricultores(as), pois entendemos que esses saberes e experiências são muito importantes de serem compartilhados, tanto com outros agricultores, como se constituem em um precioso meio de complementar a formação dos discentes de graduação e pós-graduação da Universidade.
A experiência desses encontros foi considerada muito positiva e continuou no atual Projeto de Extensão que está em vigência em 2021.
|
|
| Havíamos realizado as primeiras reuniões de planejamento das atividades, inclusive com a articulação de um curso de longa duração sobre olericultura orgânica (via Senar – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) para um grupo de agricultores, e selecionado a bolsista Proex, quando a Unesp suspendeu as atividades presenciais, inicialmente por um tempo determinado.
A execução das atividades de campo previstas na proposta inicial do Projeto foi totalmente inviabilizada pela ocorrência da pandemia. Além dos membros discentes da equipe, em sua grande maioria, ter retornado para suas cidades, o fato de quase todas as atividades do Projeto envolver reuniões e mutirões presenciais com famílias e associações de agricultores assentados (a maioria pertencente ao grupo de risco em termos de Covid19) não permitiu realizá-las, pois com os objetivos previstos não era possível adaptá-las ao contato remoto.
Na época, a expectativa era que a situação se normalizasse em período não muito extenso e como a bolsista selecionada é discente do curso de Ciências Biológicas, busquei lhe repassar, por e-mail, textos e indicações de vídeos que reforçassem seus conhecimentos sobre os principais temas do Projeto. Após a leitura fizemos algumas reuniões virtuais para esclarecimentos de dúvidas e para debater os assuntos. Quando ficou claro que o período poderia ser longo, a FEIS/Unesp retornou às aulas de forma remota e, nós, professores e alunos, tivemos que aprender e nos adaptar ao ensino remoto.
A bolsista preparou uma apresentação com comentários sobre as principais leituras e materiais que havia estudado e apresentou em uma reunião virtual com todos os membros do Projeto (Grupo Guatambu). Neste período também iniciamos a discussão e depois o replanejamento das ações do Projeto, adaptando-as, na medida do possível, para a situação vivenciada de continuidade da pandemia, o que resultou nos encontros virtuais com agricultores(as), conforme já descrito.
|