DEMOCRATIZANDO E TROCANDO SABERES: POPULARIZAÇÃO DE CONHECIMENTOS SOBRE CIÊNCIAS, SAÚDE E EDUCAÇÃO
Eliana Goldfarb Cyrino
Faculdade de Medicina do Câmpus de Botucatu - FMB
eliana.goldfarb@unesp.br
14991348337
Início: 10/03/2020 - Término: 10/12/2020
Saúde
A popularização de conhecimentos científicos a respeito de saúde realiza-se por meio de trabalho social emancipador. Enfrenta problemas sociais, políticos e institucionais, buscando sua superação, com protagonismo crítico e reflexivo. Aprende-se pelo mergulho no mundo concreto e por uma comunicação com as experiências de grupos que vivenciam processos de exclusão, marginalização, pobreza, dor, dentre outros. Incluem-se aí indivíduos humildes, cuja voz passa a ser valorizada e incluída no fazer a saúde. O presente projeto surge com o objetivo de ampliar a perspectiva do Projeto de Alfabetização de adultos que se desenvolve, na FMB,UNESP desde 1993. Em 2020, visávamos ampliar o trabalho na linha da difusão e popularização do conhecimento científico relacionado à saúde por meio do desenvolvimento da capacidade de reflexão e a partir de rodas de conversa, palestras e oficinas que ao mesmo tempo trabalhariam com temas de interesse da comunidade e se daria também maior apropiação a escrita e leitura. No entanto, com a chegada da pandemia Covid-19 e o fechamento de todo trabalho presencial na Creche e Berçário Criança Feliz e da realização do ensino remoto emergencial por parte da FMB, UNESP, para os estudantes universitários participantes do projeto, todo trabalho foi reorganizado e regularmente discutido com a orientadora docente da saúde pública da FMB. Assim, optou-se por aproveitar o ano para estudo dos estudantes universitários sobre os temas a serem desenvolvidos, maior conhecimento sobre educação problematizadora, produção de material educativo para a comunidade e conversa por telefone com os educandos, na medida do possível. Os professores, estudantes da graduação da Unesp Botucatu, realizaram regularmente processo de formação sobre as diferentes temáticas do trabalho. E apesar de diversos contatos com a direção local da instituição onde ocorreria o desenvolvimento das práticas não pudemos realiza-las devido a pandemia.
Objetivo geral do projeto inicial: Para os educandos: Ampliar os conhecimentos sobre assuntos relacionados à saúde, bem-estar e estilo de vida, bem como sobre o papel da universidade e da ciência, como veículo efetuador denovas descobertas acerca desses assuntos. Para os estudantes: Refletir e ampliar práticas pedagógicas que valorizam o senso crítico da equipe, assim, tendo maior interação universidade e comunidade por meio daspráticas em transmitir a produção científica e em saúde realizada pela universidade.
Organizar temas a partir de estudos e discussões em grupo sobre doenças mais comuns em populações em envelhecimento; a importância do autocuidado, da promoção da saúde e a prevenção de diversas doenças; a importância de determinados medicamentos e vacinas, ampliar o conhecimento sobre como discutir com a população que se encontra vulnerável a falsas notícias (Fake News). Proporcionar a oportunidade para estudantes universitários assumirem a responsabilidade de elaborar projeto e material para trabalhar sobre conhecimentos gerados pela universidade para um grupo de pessoas que não possuem acesso nem mesmo a educação básica. Promover a formação dos estudantes universitários sobre a educação problematizadora.
O projeto iniciou-se com sua divulgação para alunos recém-chegados na UNESP, em Botucatu, em março. O evento de recepção abriu espaço para os Projetos de Extensão divulgarem sua atuação (tanto aos calouros da Faculdade de Medicina, como aos alunos de todos os cursos na Recepção Unificada, em que participamos da “Feira de Projetos”). Posteriormente, preparamos, em março, uma exposição na biblioteca da UNESP, em Rubião Júnior, Botucatu, com fotos, atividades feitas pelos alunos e depoimentos de participantes do projeto. Nosso intuito foi mostrar nossas atividades, por meio de recursos visuais, para local de amplo acesso e circulação de estudantes e funcionários para divulgação do trabalho de extensão basicamente realizado por estudantes universitários. Nossas atividades presenciais foram, no entanto, interrompidas devido ao decreto de quarentena no Estado de São Paulo, em março. Deste momento em diante, nossa atuação enquanto estudantes universitários passou a ocorrer de modo remoto. Essencialmente presencial, e pautado no convívio próximo com a comunidade, o projeto necessitaria tomar rumos distintos do planejado para 2020. Pensamos, nesse contexto, em maneiras de reinventar nossas atividades, a fim de preparar o projeto da melhor forma possível para o futuro retorno ao ambiente presencial. Realizamos reuniões via Google Meet, regulares, a fim de discutir as demandas de organização administrativa, logística, divulgação, fundamentos pedagógicos, aquisição e elaboração de materiais de apoio que pudessem ser utilizados futuramente. Concomitantemente, desenvolvemos uma série de publicações em nossa página do Instagram “alfabetizaçãounespbtu”, otimizando seu alcance em um curto espaço de tempo. Expusemos atividades já desenvolvidas no projeto, aspectos de sua filosofia e objetivos, além de abrirmos espaço para dúvidas do público acadêmico e comunidade em geral. Dentre as temáticas abordadas: o papel da alfabetização na aquisição de autonomia; importância da horizontalidade e troca de conhecimentos no contexto da Extensão Universitária; além dos fundamentos pedagógicos que sustentam o Projeto. Uma postagem, inclusive, abordou a importância da alfabetização no momento de pandemia. Realizamos conversa por telefone com os alfabetizandos, antigos alunos com quem trabalhávamos com o intuito de informar-lhes sobre a situação do projeto e, principalmente, saber como estavam de saúde, tanto física como mental, diante do contexto de pandemia, bem como ouvir sobre como estavam lidando com a distância em relação ao Projeto. Durante as reuniões via Google Meet refletimos a respeito da necessidade de nos formarmos no delineamento de estratégias e elaboração de conteúdos que explorassem ao máximo o potencial de nossos alunos. Assim realizamos formação com uma pedagoga e elaboraramos material educativo para trazer questões relevantes para futuros trabalhos a serem desenvolvidos.
Divulgação presencial sobre o projeto para os alunos recém-chegados nos campus da UNESP de TV Botucatu no início do mês de março. Exposição na biblioteca da UNESP, em Rubião Júnior, Botucatu, para divulgação de um trabalho de extensão bastante antigo e basicamente realizado por estudantes universitários. Atividades presenciais interrompidas devido a Pandemia em março. Inicio de atividades remotas. Reuniões via Google Meet, regulares a fim de discutir as demandas de organização administrativa, logística, divulgação, fundamentos pedagógicos, aquisição e elaboração de materiais de apoio que pudessem ser utilizados futuramente. Criação e desenvolvimento de página do Instagram “alfabetizaçãounespbtu”, publicando atividades desenvolvidas no projeto, aspectos de sua filosofia e objetivos, além de abrirmos espaço para dúvidas do público acadêmico e comunidade em geral. Dentre as temáticas abordadas durante o ano estão: o papel da alfabetização na aquisição de autonomia; importância da horizontalidade e troca de conhecimentos no contexto da Extensão Universitária; além dos fundamentos pedagógicos que sustentam o Projeto. A importância da alfabetização no momento de pandemia. Conversa por telefone com os alfabetizandos, antigos alunos para informar-lhes sobre a situação do projeto. Reuniões com pedagoga para delinear estratégias e elaboração de conteúdos, compartilhamento de saberes e aprendizagem para a equipe de estudantes universitários componente do projeto, com 5 consultorias online, com duração de 1 hora cada e frequência média mensal, nas quais discutiríamos sobre os aspectos pedagógicos do processo de alfabetização e promoveríamos assim uma capacitação de nossa coordenação de estudantes universitários. Este tema foi pauta de discussão com nossa professora orientadora que reconheceu nessa parceria um espaço de aprendizagem de toda equipe de professores do projeto no sentido de melhor compreensão sobre o método da problematização de Paulo Freire e mesmo sobre a educação dialógica e a proposta de uma educação centrada nos alunos e na troca professor aluno. Elaboração coletiva de material de orientações sobre a COVID-19. Embora este material seja pré-produzido, ele deve oferecer flexibilidade para, futuramente, responder as demandas dos alunos, de modo horizontal e dialógico, compreendendo que a Educação Popular trabalha no sentido de valorizar o saber popular.Elaboração de uma “Entrevista inicial” a fim de conhecer nossos futuros alunos, suas preferências e valores; além de um “momento diagnóstico” que aborde diferentes aspectos do processo de aprendizagem. O Momento Diagnóstico, principal fruto material de nossas consultorias, leva em conta a forma como o aluno lê o mundo ao seu redor e o traduz em uma folha de papel. A ferramenta prioriza elementos do cotidiano.
1. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa. Política Nacional deEducação Popular em Saúde (PNEPS-SUS). Portaria n.o 2.761, de 19 de novembro de 2013. Brasília:Ministério da Saúde, 2013. 2.BRAZ, N. S.; VALADAO, S. S.; SELIGER, B. P. A.; AMANCIO, S. C. P.; GOLDFARBCYRINO, E. PROBLEMATIZAR PARA EDUCAR: 25 ANOS DO PROJETO ALFABETIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS.In: 13º Congresso Internacional Rede Unida, 2018, Manaus. Revista Saúde em Redes Suplemento, Anais do13ª Congresso Internacional da Rede UNIDA. Porto Alegre: Rede Unida, 2018. v. 4. p. 1890-1890. 3.CARVALHO, A.I. Saúde e educação de base: algumas notas. p.28-33.(mimeo), 1976. 4.FREIRE, P. Pedagogiado oprimido. 17.a ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1975. 5.FLEURI, R. Educação Popular e Universidade.Piracicaba: Unimep, 1988. 6.CRUZ, P. J. S. C. EDUCAÇÃO POPULAR EM SAÚDE, SEUS CAMINHOS E DESAFIOSNA REALIDADE ATUAL BRASILEIRA. Educação Popular em Saúde: desafios atuais / organização Pedro JoséSantos Carneiro Cruz – 1 ed. – São Paulo : Hucitec, pp. 19-32, 2018. 7.MELO NETO, J. F. Educação Popular:enunciados teóricos. João Pessoa, 227 Ed. Universitária/UFPB, 2004. 8.VIEIRA, FL; CYRINO, EG; ANTONISSEN,K; ASSALIM, V; SILVA, A; YOSHIDA, V; PEREIRA, M. L. Outras leituras da realidade: alfabetização de adultospela educação em saúde. Interface (Botucatu. Impresso), Botucatu, v. 2, n.2, p. 221-224, 1998. 9.VILLARDI,MARINA ; GOLDFARB CYRINO, E. ; BERBEL, N. . ALÉM DO MURO DA UNIVERSIDADE: CONTRIBUIÇÕES ÀFORMAÇÃO EM SAÚDE. In: Anais do 51º Congresso Brasileiro de Educação Médica. Rio de janeiro: ABEM,2013. v. 0. p. 706-1-706-1. 10.FALCÃO, E. F. Extensão Popular: reflexões teóricas e filosóficas sobre umacaminhada a trilhar. In: CRUZ, P. J. S. C.; VASCONCELOS, M. O. D.; SARMENTO, F. I. G.; MARCOS, M. L.;VASCONCELOS, E. M. (Org.). Educação popular na universidade: reflexões e vivências da ArticulaçãoNacional de Extensão Popular (ANEPOP). São Paulo: Hucitec; João Pessoa: UFPB, 2013.
Os estudantes trabalharam dentro das condições possíveis nesse ano tão desgastante e desafiador. Não realizaram as atividades presenciais que é a essência desse projeto de extensão que se desenvolve há muitos anos na FMB, UNESP e que sempre tive enorme alegria em coordenar, mas que realmente nesse ano foi realizado muito mais como um grupo de estudos para preparar material educativo e mesmo para formação dos estudantes universitários sobre temas que havia se programado para trabalhar com a comunidade local envolvida. Os estudantes se esforçaram para estudar e para produzir material educativo a partir das refrencias bibliográficas aqui apresentadas e também de novos referenciais, como o tema da Pandemia. Entendo que nesse momento não há como dar continuidade ao projeto e esclareço que acabei por não enviar nova proposta para 2021 devido ao momento de pandemia que vivemos.
Como já apresentado anteriormente não houve qualquer possibilidade de realizar o trabalho presencialmente e durante todo o ano os estudantes universitários se dedicaram a estudar temas relativos ao projeto e a educação problematizadora e a educação popular e temas relacionados a maior compreensão sobre a alfabetização de adultos. Assim, esclareço que todo trabalho realizado teve como foco a formação dos estudantes universitários na temática desse projeto. Comentário de Mariana de Jesus Ribeiro, aluna bolsista pelo projeto entre o período de abril a setembro: "pude sentir intimamente os desafios de reinvenção que o momento de pandemia trouxe ao Projeto. Enquanto Extensão Universitária, nosso fundamento e intuito principal é o trabalho contínuo e próximo com a comunidade. No entanto, na impossibilidade deste, enxergamos, simultaneamente, a necessidade e a oportunidade que tínhamos em mãos de desenvolvermos demais competências demasiadamente relevantes ao Projeto e lapidá-lo a fim de que, futuramente, ofereçamos um trabalho com potencial ainda mais transformador e que colhamos muitos frutos mais. Sinto-me privilegiada por tê-lo coordenado, ainda que em um ano tão atípico, pois pude compreender mais de perto o universo pedagógico e os objetivos de uma Extensão Popular, debruçando em estudos a respeito do assunto, tal como foi 2020 para nós: um ano de aprendizados. Hoje, vejo um projeto mais maduro e pronto para - espero que muito em breve -, oferecer amplamente, a alunos e comunidade, a oportunidade riquíssima da troca humana de experiências." Comentário de Gabriela Miloch, aluna bolsista pelo projeto entre o período de outubro a janeiro: "a Alfabetização de Adultos, durante os anos que participei do projeto, sempre foi inspiração e transpiração para mim. Inspiração porque os alunos tinham uma determinação infinita em buscar o conhecimento que nunca tinham tido oportunidade de ter. Transpiração, pois insistiam nessa busca, mesmo a tantas dificuldades pessoais e logísticas. A pandemia de COVID-19 trouxe inúmeros desafios à continuidade do projeto, que seria inviável de acontecer remotamente. Contudo, o projeto também aprendeu muito com seus alunos. Fiquei satisfeita com a oportunidade de ser bolsista, mesmo que brevemente, durante a decisão de se inspirar na sua determinação na busca pelo saber e a insistência diante das adversidades. Dessa forma, o projeto foi capaz de refinar seus conhecimentos e ampliar seu potencial para os próximos anos."
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Creche e Berçário Criança Feliz Avenida Francisco de Oliveira Leite 620 Jardim Peabiru Botucatu SP Organizações não-governamentais
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20 Analfabetos Adultos Cond. socioeconômica baixa